domingo, 7 de outubro de 2007

Comunismo

Vi aqui e achei uma certa piada.


"Contaram-me uma anedota que merece ser dividida.
Depois da revolução do 25 de Abril de 1974 em Portugal
- Onde é que havia de ser
um tipo às esquerdas dirigiu-se a um velhote lá no campo
- No campo onde a vila é morena
e disse-lhe com as maneiras próprias de um revolucionário que se quer sentar
- Camarada
chegou o 25 de Abril. A Revolução. A democracia.
e continuou
Isto agora está tudo mudado. Tudo diferente. Para melhor. Agora é que é bom. Agora há solidariedade. Dividimos tudo.
- Ai sim - perguntou o surpreendido camarada que não sabia que o era e que também estava espantado com aquela chegada do tal 25 que o camarada interlocutor já esperava pela maneira como falava. Sempre se espantam as pessoas do campo com coisas certas além da previsão do clima. E mesmo nisso.
- Sim. É o fim do fascismo. É o fim do egoísmo. Agora vamos ser comunistas. Não há mais nenhuma religião. Agora é só comunismo.
- Ai sim.
- De maneira que o meu camarada tem dois burros e eu não tenho nenhum. Não sei se o camarada já tem espírito comunista.
- Ai sim - meio pergunta meio espanto.
- Sim camarada. Agora pode dar-me um burro para eu trabalhar. Dividimos.
O agricultor velho ainda pensou que não sabia fazer contas de dividir. Mas percebeu que as palavras do seu interlocutor conmunista vinham cheias de autoridade democrática e revolucionária. Os agricultores percebem rapidamente estas coisas.
- Está bem camarada. Pode levar um burro.
- Já vi que o camarada tem espírito.
- Leve o burro daqui camarada.
Uns meses mais tarde o agricultor velhote passava de passeio junto da casa do seu camarada interlocutor para a questão do burro. E rejubilou com alegria uma vez que o seu camarada já possuía três vaquinhas
muito jeitosinhas e de cores leiteiras. Sonhou então com o leitinho que resultaria do comunismo anunciado. E anunciou-se aos céus como comunista convertido. Antecipou-se como culpado de desconfiança contra-revolucionária indesculpável. Penitenciou com racionalidade e reconstruiu-se como homem. Estava outro.
Chamou o camarada e pediu-lhe com gentileza
- Por gentileza camarada. Descobri que estou pronto para aderir ao comunismo de corpo inteiro e em igualdade de circunstâncias. Sou um homem novo. Percebi a sua mensagem. E vinha pedir-lhe uma vaquinha
um leitinho comunista. Nem me contenho na alegria de saber a felicidade que o camarada vai sentir ao dividir comigo este símbolo do desenvolvimento agrário e pecuário e revolucionário.
Nisto é interrompido pelo camarada de rosto fechado
- Oh camarada. Isso do comunismo é só para burros."

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